Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

01 maio 2012

Quem não tem cão...

... caça com gato.
Eu tive o Farrusco. Fazia parte do pelotão que comandava em Angola. Eu gostava dele, ele gostava muito mais de mim. Simplesmente porque eu era um vulgar militar-instrumento de Salazar em terra alheia. A terra do Farrusco, um cão livre nascido em Zala! Mas gostava de mim porque nada sabia de política, de Salazar e da colonização da sua terra. Um animal que honrava a sua raça e dava lições a animais de outras raças.
O Farrusco acompanhava-me sempre. Ao princípio, com o medo dos tiros e das minas, fugia para o aquartelamento. Mas, à medida que ia crescendo e com o meu completo apoio e carinho, foi-se adaptando à balbúrdia da guerra. Uma coisa nunca deixou de fazer: ao primeiro tiro metia-se logo debaixo de mim. Eu tratava logo de protegê-lo. Preocupava-me mais com ele do que comigo próprio. Chegou a dormir a meu lado 15 noites seguidas no chão da mata.
Até que... 14 meses decorridos no inferno dos Dembos, iniciámos uma viagem de vários dias e milhares de Kms. em direção ao inferno do Leste, Huambo, Luso, Saurimo, Cazombo, Lumbala. O Farrusco não chegou ao fim. A meio da coluna motorizada conduzia eu um Unimog (ilegalmente - os condutores sempre aceitam os caprichos dos superiores) pelas perigosas picadas da maior parte do trajecto, quando me chega a informação via rádio-telegrafista de que o Farrusco fôra atropelado por outro Unimog bastante mais à frente junto à cabeça da coluna (o Farrusco, com a irreverência da sua juventude, corria a grande velocidade entre a cauda e a cabeça da coluna, saltando para o meu Unimog como que a dizer-me que andava a verificar se tudo ia bem). Morreu. Apeteceu-me chorar. Andei algum tempo triste e acabrunhado.
Revejo o Farrusco nas fotos do pelotão e nas fotos a dois, o Farrusco e eu. E nos sonhos. Porque, decorridos 38 anos, por vezes ainda sonho com a guerra, com o medo, com o Farrusco.
Bom... passemos agora ao objectivo deste post:
Uma hipótese seria esta: [_ _]. Um dia hei-de falar sobre isso, mas neste caso acho melhor dizer o seguinte:
Согласно заведенному порядку, я оставляю здесь свое сообщение. Но делаюэто в несколько отличающейся манере, как принято в таких случаях. (Никогданельзя быть уверенным, что не являешься объектом слежки!).
.Отличие выбранного способа заключается в использовании языка, не доступногобольшинству, хотя для многих не существует понятие "невозможно"... уостальных всегда есть шанс воспользоваться функцией перевода Google!
Итак, собственно, сообщение:
Я уезжаю, но скоро вернусь. В смысле, не так уж и скоро. Вообщем,своевременно оповещу о своем возвращении.
Это сообщение аналогично Rui Branco, и совершенно не похоже на Guida,каждому присущ собсвенный стиль.

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3 Comments:

At 07 novembro, 2006 01:06, Anonymous ex-Alf. Baltazar da 2ª cCaç do 4613/72 said...

Cheguei à Bela Vista no dia 3 de Março de 1973. Todas as outras Companhias do meu Batalhão ficaram em Zala. Na Bela Vista havia um cão. Estava sempre a dormir. Por isso, puseram-lhe o nome de "Bruto". Iríamos para o nosso sétimo ou oitavo mês, quando saímos apeados para mais uma operação, em direcção ao Bico do Pato. Nesse tempo, as operações eram de 5 dias, ou seja, 4 noites ninguém nos tirava. Para grande espanto de todos, o "Bruto" acordou e pôs-se à testa do bi-grupo (todas as operações eram em bi-grupo). Atirámos-lhe pedras, gritámos "vai-te embora, ó Bruto!" Nada demoveu o Bruto. Aquela operação também era dele. Não se lhe ouvia um som. De repente estacava. E nós estacávamos com ele. Nos grandes-autos, em silêncio, fazia a ronda constantemente. Por vezes afastava-se e, depois voltava. Sempre sem o mínimo ruído. Não havia dúvida, o cão estava treinado para a guerra. Depois da primeira operação que fez connosco, passou a ser habitual, mas não se sabe por quê, era selectivo. Ainda pensámos que só ia quando saíamos apeados. Mas não. Para nos contrariar, passou a sair também em operações em que éramos largados de viaturas. Era a nossa melhor sentinela, e quando ele resolvia ir connosco, eu ia muito mais descansado.

 
At 13 novembro, 2008 10:57, Anonymous João Ribeiro (ribeiroj@gmail.com) said...

E no dia 10-03-1973 faleceu Joaquim Manuel de Almeida Saraiva...
Quem me pode dizer como?

 
At 21 agosto, 2010 22:55, Anonymous Alberto Manuel Henriques Barata said...

Caro Baltazar, no dia 3 de Março de 1973 dei-lhe as boas vindas na então Bela Vista, pertencendo à Cart 3455 do Bart 3861.
Hoje, não recordo o "BRUTO", mas sim o então jovem Alferes Miliciano SARAIVA, a quem no início da noite de 10/3/1973-Sabado, antes da sua fatídica saída, pedi para ter muito cuidado.
Mantenho ainda na minha retina, a imagem do nu corpo, sem vida, do SARAIVA, estendido na pedra fria da enfermaria do aquartelamento da Bela Vista.
Segundo informações, que me foram fornecidas pelo ex-radiotelegrafista Do Ó, que reside e trabalha em Cascais a 2ªCª do Bº 4613 sofreu ao todo a morte de quinze dos seus membros, curvando-me eu agora, em respeito pela sua memória!
Alberto Barata

 

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