Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

05 setembro 2012

Início da guerra colonial

Um documento com um pedaço da História de Portugal digna de ser relembrada. Uma resenha do que foi o início da guerra colonial, centrada em Angola, com referências a Moçambique. Datas, embarque em Alcântara, desembarque em Luanda, concentração na "interface" do Grafanil (onde comecei a sofrer na pele os efeitos das "famosas" melgas. Fiquei como um cristo!), subsquente "viagem" até aos diversos teatros de operações. Dembos, Zala, para o meu batalhão.
Março de 1961. Vera Cruz, Tejo, Alcântara, "rapidamente e em força" (frase que ficou gravada na mente de todos, a menos que o tempo a tenha desvirtuado, já que não corresponde exactamente à que é referida ao lado da foto de Salazar, ou seja, "For Angola and by force if necessary") destino Angola, "Angola is ours", conforme link. No fundo da página (lado direito) aberta pelo link, faça o recomendado: "Click on image for the Angolan campaign" (resenha histórica do início da guerra, incluindo uma fotografia de... Salazar!).
Fica-se a saber quem financiava quem. Origem dos financiamento dos movimentos de libertação. O Movimento Nacional Feminino (que nós militares designávamos por gestos... e de quem recebíamos Bic's e aerogramas...), Cruz Vermelha Portuguesa, PIDE, etc.
Até nos é indicado o nome do primeiro morto em combate, em Abril de 1961: soldado pára-quedista Joaquim Afonso Domingues. E de como é que Cabinda (por causa dos campos de petróleo) e Diamang (por causa das minas de diamantes) mereceram o "rapprochement" dos três movimentos de libertação. E de como Che Guevara acompanhou e ajudou nas operações do MPLA!
Penso que, nomeadamente o conteúdo com que nos deparamos após abrir o link supra, merecerá o interesse de quem esteve na guerra e mesmo de quem "só" viveu em Angola e Moçambique.

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01 maio 2012

Quem não tem cão...

... caça com gato.
Eu tive o Farrusco. Fazia parte do pelotão que comandava em Angola. Eu gostava dele, ele gostava muito mais de mim. Simplesmente porque eu era um vulgar militar-instrumento de Salazar em terra alheia. A terra do Farrusco, um cão livre nascido em Zala! Mas gostava de mim porque nada sabia de política, de Salazar e da colonização da sua terra. Um animal que honrava a sua raça e dava lições a animais de outras raças.
O Farrusco acompanhava-me sempre. Ao princípio, com o medo dos tiros e das minas, fugia para o aquartelamento. Mas, à medida que ia crescendo e com o meu completo apoio e carinho, foi-se adaptando à balbúrdia da guerra. Uma coisa nunca deixou de fazer: ao primeiro tiro metia-se logo debaixo de mim. Eu tratava logo de protegê-lo. Preocupava-me mais com ele do que comigo próprio. Chegou a dormir a meu lado 15 noites seguidas no chão da mata.
Até que... 14 meses decorridos no inferno dos Dembos, iniciámos uma viagem de vários dias e milhares de Kms. em direção ao inferno do Leste, Huambo, Luso, Saurimo, Cazombo, Lumbala. O Farrusco não chegou ao fim. A meio da coluna motorizada conduzia eu um Unimog (ilegalmente - os condutores sempre aceitam os caprichos dos superiores) pelas perigosas picadas da maior parte do trajecto, quando me chega a informação via rádio-telegrafista de que o Farrusco fôra atropelado por outro Unimog bastante mais à frente junto à cabeça da coluna (o Farrusco, com a irreverência da sua juventude, corria a grande velocidade entre a cauda e a cabeça da coluna, saltando para o meu Unimog como que a dizer-me que andava a verificar se tudo ia bem). Morreu. Apeteceu-me chorar. Andei algum tempo triste e acabrunhado.
Revejo o Farrusco nas fotos do pelotão e nas fotos a dois, o Farrusco e eu. E nos sonhos. Porque, decorridos 38 anos, por vezes ainda sonho com a guerra, com o medo, com o Farrusco.
Bom... passemos agora ao objectivo deste post:
Uma hipótese seria esta: [_ _]. Um dia hei-de falar sobre isso, mas neste caso acho melhor dizer o seguinte:
Согласно заведенному порядку, я оставляю здесь свое сообщение. Но делаюэто в несколько отличающейся манере, как принято в таких случаях. (Никогданельзя быть уверенным, что не являешься объектом слежки!).
.Отличие выбранного способа заключается в использовании языка, не доступногобольшинству, хотя для многих не существует понятие "невозможно"... уостальных всегда есть шанс воспользоваться функцией перевода Google!
Итак, собственно, сообщение:
Я уезжаю, но скоро вернусь. В смысле, не так уж и скоро. Вообщем,своевременно оповещу о своем возвращении.
Это сообщение аналогично Rui Branco, и совершенно не похоже на Guida,каждому присущ собсвенный стиль.

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01 dezembro 2005

Ainda a guerra em Angola


Desencantos é um Blog cujo link consta da minha lista praticamente desde a criação do meu. Este post do Desencantos "tinha" que merecer a minha atenção. Para já, o link do post "Deste viver aqui neste papel descripto". Agora, não resisto a copiar, com a devida vénia, o texto integral do post:
'As cartas de amor', dadas a conhecer pelas manas Lobo Antunes, trouxeram-me à memória aqueles retratos a preto e branco do leste angolano, que retenho, de quando por ali 'passava', voando, levando o chamado apoio logistico àqueles desterrados, perdidos em N'riquinha, Chiúme, em Marimba ou na Luiana... sei lá.
A paisagem selvagem, o pó das descolagens, o cheiro da terra, o fumo das queimadas, a ansiedade estampada nos rostos de quem via chegar o 'Nordatlas' ou a 'DO27'
Lá estava o Lobo, distante, por vezes inconstante. Discreto às vezes. Impares estes aerogramas trazidos a lume, contributo para a história de uma geração, de um país, de uma guerra. Muito mais que uma história de amor. Único. Eles eram sempre sobretudo marcados pelo amor, pela saudade e por um profundo sentimento de ausência.
ps:...que será feito dos meus 'aerogramas'? cartas sobretudo marcadas pelo amor, pela saudade e por um profundo sentimento de ausência.
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Sá Nunes, o autor do blog, piloto (pelo que deduzo) do famoso NordAtlas (cuja imagem também amavelmente roubei - fica assim o serviço completo!), avião que, como já disse algures, sobrevoava Zala e lançava em pára-quedas alguns "contentores" com géneros alimentícios frescos (ou quase) e os também famosos... sim, aerogramas! Uma vez por semana (refiro-me aos 14 meses em Zala, de Agosto 1965 a Outubro 1966), todos os militares que tinham a sorte de se encontrar em stand-by no aquartelamento de Zala, uns com antecedência, outros quando ouviam ao longe os motores do avião, formavam alas em ambos os lados da pista de terra batida para sorverem com expectativa e alegria esses momentos com acenos para quem lá em cima nos brindava com tais momentos!
Sá Nunes fala desses momentos, não nos Dembos mas no leste angolano. Por lá andei 9 meses, base em Saurimo. Daqui fiz uma viagem de ida e volta, 4 dias no Luena (ex-Luso) para tratar dos dentes, e... no... NordAtlas!, jamais esquecendo a competência da tripulação que, quando o avião descolou do Luso, já bem lá em cima, o portão traseiro abriu, "chegou a minha vez", pensei, mas os militares tripulantes, com uma calma impresionante, sossegaram os poucos militares passageiros "não se aflijam, isto vai ao sítio" - e foi! Palmas! Saurimo era a base (comando do Batalhão mais a minha Companhia), mas o tempo todo foi nas zonas de "porrada", Cazombo, Lumbala, uma viagem quase turística ao "coração dos diamantes", e outros nomes de que não me recordo. (curiosamente, não me lembro dos quatro locais referidos por Sá Nunes).
Mas Sá Nunes fala também de "As cartas de amor" (que não conheço mas vou procurar) das manas Lobo Antunes.
António Lobo Antunes. Os Cus de Judas. Quando li o romance, há cerca de um ano, logo percebi que Lobo Antunes lhe introduzira elementos autobiográficos e que estivera na guerra, no leste, nos cus de judas de Angola. Mas recordo-me que também fala da Pide, de Malange e, no livro sim, de Chiúme. Não me recordo da época em que Lobo Antunes lá esteve, tenho ideia de que foi pouco antes do 25 de Abril, seja em 1973.
Agora é altura de recuperar o material publicado por mim:
Quem não tem cão... , 03 Agosto 2005.
Zala, Angola, 05 Outubro 2005.
Início da guerra colonial, 18 Novembro 2005.
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Agradecimentos:
a) Ao Sá Nunes, pelas recordações dum tempo de sofrimento, de saudade e de medo, mas também dum tempo que permitiu conhecer a riqueza duma região de "terra vermelha" e de paisagens africanas que suscitam admiração e respeito pelas suas características únicas. E o NordAtlas, sim, um grande plano do famoso e sempre esperado avião. Possuo fotografias dele e dos pára-quedas a cair na vertical ou enviezados (no material publicado refiro o caso duma largada acidental entre Zala e Nambuangongo), mas com a tecnologia da época... a preto e branco e sem close-ups.
b) Ao controlador de referências. Porquê?... Deixem-me usar uma linguagem à moda do antigo (extinto?) caixeiro-viajante: Por vezes a gente desloca-se a Coimbra e aproveita para "fazer a corda". Então visita-se Pombal, Leiria, etc.. Enquanto isso, outras zonas (grande Lisboa, por exemplo) ficam a aguardar oportunidade, o que pode ser fatal para não depararmos com um post imperdível. Felizmente, o controlador de referências alertou: "vá à grande Lisboa, interessa-lhe".

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