Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

22 Outubro 2005

Tribunais fantoches


Foi criado mais um tribunal ad-hoc, fantoche, ilegítimo. Desta vez para julgar Saddam Hussein. Ditador, crimes contra a humanidade, blá, blá, blá.
Estes "tribunais" têm sido constituidos à margem das leis instituidas, pelos países ocidentais (leia-se USA).
Pergunto:
a) Por que é que os USA não invadiram Portugal? Tinham razões para isso: um ditador há longos anos, milhares de presos políticos, assassínios - crimes contra a humanidade. Os USA deveriam ter invadido o país, matavam milhares de inocentes e então os países ocidentais (...) inventavam um tribunal fantoche para julgar Salazar (e ridicularizavam-no, como acontece com Saddam - link). E podiam ir mais longe: inventavam outro tribunal fantoche mas contraditório para julgar os crimes dos USA.
b) Dentro dos próprios EUA existem crimes contra a humanidade. Quantos casos visíveis (muitos são camuflados) de crimes cometidos, em plena luz do dia, por polícias e não só, contra negros e brancos, automobilistas, etc., etc. E então? Os países ocidentais (leia-se USA) não arranjam um tribunal fantoche para esses casos?.
A imagem inserida não se compara com o repugnante gozo revelado pelo link supra. Imagine-se que poderia ter sido o mesmo com Salazar...
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Ouvi com muita atenção os "dez" minutos do Cavaco e... gostei do que disse... Manuel Alegre.

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09 Outubro 2005

9 Outubro 2005

Tarde de 9 Outubro 2005. Acabei de regressar da Escola Secundária António Sérgio, onde funcionam as mesas de voto. Deram-me três boletins: amarelo, branco e verde.
Nos dois primeiros pus a cruz na formação partidária que figura em último lugar nos boletins. A terceira cruz foi colocada no primeiro lugar.
As posições relativas dos partidos nos boletins de voto não são iguais em todo o país (julgo eu). Como o site da CNE, que ando a testar há três dias, não está a funcionar bem (devem ter abandonado a manutenção por falta de dinheiro...), para facilitar a projecção de resultados às Tvs e à imprensa, informo que as referidas posições relativas na minha aldeia correspondem à CDU:
**Câmara Municipal** ** Asembleia Municipal**
.Junta Freguesia. (foto não disponível)
Mafamude
Paulo Tavares
Trabalhador da EDP,
licenciado em Administração Pública
.
.
**Ilda Figueiredo ** .. . . **Filomena Tavares**
Não há aqui pois lugar às queixas do costume: rosa-laranja-rosa-laranja. Se as Tvs e a imprensa não estiverem de acordo, é favor avisar para que eu trate de comprar um cérebro novo e pô-lo a trabalhar já nas próximas eleições.

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08 Outubro 2005

Novamente Bush

Recomendo vivamente a leitura do post "A Vontade de Deus", sobre a invasão do Iraque (outra vez o Iraque? por que não? outra vez e sempre: em matéria de ilegalidades eu sou teimoso, não pactuando com actos ilícitos, quaisquer que sejam, tanto mais quando se trata dum crime de tal monta e gravidade que afecta todo o mundo!). O post é do Random Precision, cujo autor é Advogado - o que garante a credibilidade subjacente aos seus juízos. Para maior comodidade, e sem prejuízo da leitura integral do post, copio para aqui o comentário que lá deixei:

«De facto, a invasão de um Estado, ainda que ditatorial, feita à revelia dos mais básicos conceitos do Direito Internacional, os milhares e milhares de mortos que essa loucura já causou – e que todos os dias ainda causa – quer entre as tropas americanos e suas aliadas, quer entre o inocente povo iraquiano, e ainda as inimagináveis consequências que toda a população mundial vive quotidianamente como resultado desse delírio americano, não poderiam resultar da mera vontade de um simples homem.» [este trecho foi copiado do próprio post].
«É exactamente essa a minha análise, com uma pequena nuance: o "Give Bush a Brain" não precisou da ajuda de deus!... isso é para americano ler e ouvir... Abraço ao Luis, a.castro.
[imagem obtida com licença permanente de detenção no domicílio e já usada legalmente várias vezes; emissor da licença: Universos Assimétricos]

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05 Outubro 2005

Zala, Angola

O Google Earth localiza zonas nas quais estive a "defender a Pátria". Os primeiros 14 meses foram aqui:


Zala, Angola

(Carregar para ampliar)

Os famosos Dembos, norte de Angola, onde se integrava a temível Zala. Os primeiros 14 meses. Um perímetro de 40 km. para lutar com o inimigo. Sem casas nem sequer palhotas. Algumas fazendas destruidas. Muito café, abacaxi, bananas. Gindungo. Todo o animal vivo (sem ser os naturais, por exemplo pacaças) que surgisse era "turra". A partir de Nambuangongo, 40 Km a leste de Zala (que o Google Earth também conhece) já se viam algumas... mas só indo lá. O Google não consegue vê-las.

Zala será ali, onde o Google indica? É. Reparem na pequena mancha mais clara sobre "Z" de Zala: trata-se do sítio onde estava sediado o comando do "meu" batalhão. Essa mancha corresponde a um rectângulo afunilado, de terra batida, onde era possível aterrarem as "Dornier" (avionetas munidas de lança-rockets) e os hélis (nickname de helicópteros). Nada mais. Correio (os famosos aerogramas) e alimentos mais ou menos frescos eram lançados pelo bojudo "Nord-Atlas" em pára-quedas. Umas caixas caíam sobre a pista, outras obrigavam à mobilização de um ou dois pelotões para ir procurá-las. Umas vezes com sucesso, outras vezes não. Uma vez aconteceu o inesperado: entre Nambuangongo e Zala, o comandante do Nord-Atlas, por distracção ou por inexperiência, pensou que a mancha que via lá de cima era Zala. Não era! Largou tudo numa zona a meio caminho entre Zala e Nambuangongo. O pior sítio: mata da Madureira, camioneta vermelha (nome por que ficou conhecido o local onde repousava o esqueleto duma camioneta vermelha que, após o seu abondono na sequência dum combate, foi assada pelo inimigo), local onde sabíamos ser tradição (sem excepção) "apanhar porrada". De nada adiantava eventual e raro acompanhamento aéreo (hélis ou jactos - ah, se estivesse lá o Portas!...*). Saíamos de Zala para ir a Nambuangongo. Naquela zona "toma e vai fazer queixa ao Salazar". Regresso, Nambuangongo-Zala. Mata da Madureira, camioneta vermelha, "toma e vai fazer queixa ao Salazar".

Bom... e o que resultou da largada errada dos pára-quedas naquela complicadíssima zona? "Carga valiosa, correio, eventuais segredos, etc. nas mãos do inimigo, nem pensar. Os dois pelotões que estão de folga, já... avancem e recuperem tudo" - ordem do comandante do batalhão. Lá fomos. Mal chegou ao local a coluna auto, bem-vindos e tomem lá... (o presente foi tão inesperado que os "turras" não tiveram tempo de colocar uma mina na picada - nem por cima, disfarçada, já que a técnica avançada ia ao requinte de "lurar" por baixo da picada, colocar as bombas, muitas vezes as que, lançadas pelos aviões de Salazar não rebentavam, e fazê-las detonar por simpatia através de telecomando). Tivemos que largar as viaturas e embrenhar-nos na mata. Resultado: um morto, 18 feridos, "vão queixar-se ao Salazar e digam-lhe que agradecemos os presentes".

Outro detalhe da imagem do Google. Reparem que, sobre "Z" de Zala também existe uma pequena mancha esbranquiçada, do lado direito, mesmo junto à mata: trata-se do "palácio" residência do comandante do batalhão e da companhia de comando e serviços (os não operacionais, que eram e ainda são - nos almoços de confraternização, por exemplo - quem mais falava sobre as operações, os mortos e os feridos, etc.). Por cima outra mancha branca, com o formato dum ponto, era a igreja que Salazar mandou construir para a gente ir lá pedir que não chovesse. Eu nunca lá entrei porque gostava daquelas violentas e repentinas chuvadas tropicais.

Era do lado esquerdo da mancha (que se adivinha estar já a ser invadida pela mata) que se alojava uma (a minha) das três companhias operacionais do batalhão. Foi aí que nasceu o Farrusco, o meu primeiro cão - que morreu e me fez chorar no trajecto para leste - Luso (Luena), Henrique de Carvalho (Saurimo), Cazombo e não só.

* Não esteve lá mas esteva cá, muitos anos mais tarde. Para gozar com os "caros antigos combatentes"!... (...). Se esse tipo lá tivesse estado, das duas uma: ou borrava-se todo e tentava fugir a berrar pela mãe, nem que fosse para o inimigo, por amor à Pátria, ou então a arrogância, a vaidade, o desprezo pelos outros não teriam crescido com ele.

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