Tribunais fantoches

Etiquetas: Bush (Terrorismo)

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.Junta Freguesia. (foto não disponível)Etiquetas: Política
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Os famosos Dembos, norte de Angola, onde se integrava a temível Zala. Os primeiros 14 meses. Um perímetro de 40 km. para lutar com o inimigo. Sem casas nem sequer palhotas. Algumas fazendas destruidas. Muito café, abacaxi, bananas. Gindungo. Todo o animal vivo (sem ser os naturais, por exemplo pacaças) que surgisse era "turra". A partir de Nambuangongo, 40 Km a leste de Zala (que o Google Earth também conhece) já se viam algumas... mas só indo lá. O Google não consegue vê-las.
Zala será ali, onde o Google indica? É. Reparem na pequena mancha mais clara sobre "Z" de Zala: trata-se do sítio onde estava sediado o comando do "meu" batalhão. Essa mancha corresponde a um rectângulo afunilado, de terra batida, onde era possível aterrarem as "Dornier" (avionetas munidas de lança-rockets) e os hélis (nickname de helicópteros). Nada mais. Correio (os famosos aerogramas) e alimentos mais ou menos frescos eram lançados pelo bojudo "Nord-Atlas" em pára-quedas. Umas caixas caíam sobre a pista, outras obrigavam à mobilização de um ou dois pelotões para ir procurá-las. Umas vezes com sucesso, outras vezes não. Uma vez aconteceu o inesperado: entre Nambuangongo e Zala, o comandante do Nord-Atlas, por distracção ou por inexperiência, pensou que a mancha que via lá de cima era Zala. Não era! Largou tudo numa zona a meio caminho entre Zala e Nambuangongo. O pior sítio: mata da Madureira, camioneta vermelha (nome por que ficou conhecido o local onde repousava o esqueleto duma camioneta vermelha que, após o seu abondono na sequência dum combate, foi assada pelo inimigo), local onde sabíamos ser tradição (sem excepção) "apanhar porrada". De nada adiantava eventual e raro acompanhamento aéreo (hélis ou jactos - ah, se estivesse lá o Portas!...*). Saíamos de Zala para ir a Nambuangongo. Naquela zona "toma e vai fazer queixa ao Salazar". Regresso, Nambuangongo-Zala. Mata da Madureira, camioneta vermelha, "toma e vai fazer queixa ao Salazar".
Bom... e o que resultou da largada errada dos pára-quedas naquela complicadíssima zona? "Carga valiosa, correio, eventuais segredos, etc. nas mãos do inimigo, nem pensar. Os dois pelotões que estão de folga, já... avancem e recuperem tudo" - ordem do comandante do batalhão. Lá fomos. Mal chegou ao local a coluna auto, bem-vindos e tomem lá... (o presente foi tão inesperado que os "turras" não tiveram tempo de colocar uma mina na picada - nem por cima, disfarçada, já que a técnica avançada ia ao requinte de "lurar" por baixo da picada, colocar as bombas, muitas vezes as que, lançadas pelos aviões de Salazar não rebentavam, e fazê-las detonar por simpatia através de telecomando). Tivemos que largar as viaturas e embrenhar-nos na mata. Resultado: um morto, 18 feridos, "vão queixar-se ao Salazar e digam-lhe que agradecemos os presentes".
Outro detalhe da imagem do Google. Reparem que, sobre "Z" de Zala também existe uma pequena mancha esbranquiçada, do lado direito, mesmo junto à mata: trata-se do "palácio" residência do comandante do batalhão e da companhia de comando e serviços (os não operacionais, que eram e ainda são - nos almoços de confraternização, por exemplo - quem mais falava sobre as operações, os mortos e os feridos, etc.). Por cima outra mancha branca, com o formato dum ponto, era a igreja que Salazar mandou construir para a gente ir lá pedir que não chovesse. Eu nunca lá entrei porque gostava daquelas violentas e repentinas chuvadas tropicais.
Era do lado esquerdo da mancha (que se adivinha estar já a ser invadida pela mata) que se alojava uma (a minha) das três companhias operacionais do batalhão. Foi aí que nasceu o Farrusco, o meu primeiro cão - que morreu e me fez chorar no trajecto para leste - Luso (Luena), Henrique de Carvalho (Saurimo), Cazombo e não só.
* Não esteve lá mas esteva cá, muitos anos mais tarde. Para gozar com os "caros antigos combatentes"!... (...). Se esse tipo lá tivesse estado, das duas uma: ou borrava-se todo e tentava fugir a berrar pela mãe, nem que fosse para o inimigo, por amor à Pátria, ou então a arrogância, a vaidade, o desprezo pelos outros não teriam crescido com ele.
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since 05.12.2005