Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

29 Novembro 2005

A Ota e o facto consumado

(Clique nas imagens para ampliar)



Decorridos 20 anos após os primeiros estudos, vamos ter finalmente um novo aeroporto, na Ota. O Governo está a dar todos os passos importantes e necessários para que tudo decorra de forma transparente, explicou por que razão tomou esta decisão e mostrou os estudos que a fundamentam, e pediu que todos aqueles que não concordam apresentem também os seus documentos e estudos. Está tudo muito bem. Porém, se é assim, o primeiro-ministro não poderia ter dito que os argumentos que apresentou são definitivos. Se alguém diz que uma coisa é definitiva, é porque acabou a discussão e não há lugar à apresentação de mais documentos.
Espero que este não seja o fim, mas o princípio de um caminho que permita às autoridades mais importantes de Portugal, do ponto de vista da engenharia, do ambiente e das comunicações, trazer as suas razões à coacção. Isto porque há muitos argumentos desconhecidos, de pessoas que são contra este projecto, e que são também importantes, como seja o caso de este aeroporto da Ota ser construido entre leitos de duas ribeiras, e o da distância, que poderá originar grandes perdas de receitas no turismo. A questão é saber que impacto irá ter sobre a capital, sabendo nós que é uma das grandes geradoras de riqueza nacional.
In Metro, Crónica, Nuno Rogeiro.
Nota: geralmente este blog não gosta do Nuno Rogeiro. Ou melhor, umas vezes sim, outras não. Falta-lhe coerência. Depende do assunto e de como começa (bem ou mal). Acho que faço bem em introduzir esta nota para evitar mal-entendidos.
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Pesquisa Google, links a propósito:
Link1, Link2, Link3 (blogs.sapo!...), Link4. Chega, havia muitos mais.
A foto de baixo também surgiu na pesquisa "Hills and Valleys". Entre outras escolhi a de baixo porque o vale está verdinho (e é na Ota) por causa da chuva que tem caído; a água da chuva que cai nas serras circundantes junta-se à que cai no vale e, se o Inverno for muito rigoroso, tornar-se-á no maior lago do mundo! Enquanto isso não sucede, já era altura de mandarem para lá uma ou duas manadas e seis ou oito rebanhos para rentabilizar esta oferta da Natureza.
(o autor do texto nada tem a ver com o resto)
Edição: Acabei de receber um email (14:40) do Ministro da Agricultura a comunicar-me que já tinha enviado para o vale os primeiros animais.


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26 Novembro 2005

Tecnologia

Eu faço duas horas de natação por semana, às terças e sexta-feiras (excepto feriados e faltas injustificadas - como os professores). É natural pois que saia da natação com a cabeça fresca. É o momento ideal para pensar. A menos que esteja a chover muito, faço a pé o regresso a casa (são só uns 5 Km).
Durante o trajecto lá vim eu hoje (ontem) a pensar. São milhentas coisas que passam pela cabeça (por exemplo a OTA, que não só passa como não sai...). Uma delas originou o título deste post.
Numa iniciativa inédita vou, a partir de hoje, inclusive, deixar dois links por cada blog que consta da minha lista. A ordem vai ser aleatória (Random Precision, Pink Floyd), determinada por três brinquedos dos meus tempos de criança. Jogarei tantas vezes quanto as necessárias para evitar repetições.


(*) Clicar na imagem. Só assim é possível ver o jogo.

Um dos jogos está visível (embora não esteja a girar apesar de ser uma imagem gif (*), mas o Blogger não está a funcionar bem, vá-se lá saber porquê) e os outros, devido à alta tecnologia macromedia flash, têm que ser vistos neste link e nestoutro.
E é tudo. Aproveito para desejar um bom fim-de-semana a todos, cá dentro ou lá fora.Se a escolha for "lá fora", é recomendável levar uma grade de cervejas para, empoleirados nela, denunciar o governo português no que vai mal pelo nosso burgo (aviões espias da CIA, orgão de soberania Tribunais, outros orgãos de soberania, candidatos a PR, mãos-de-ferro, mãos-de-luva, luva-nas-mãos, projectos megalómanos e injustifiváveis, como o da OTA, metro do Porto, metro a um metro da porta de hospitais e escolas (armados em carros-eléctricos), serras na Ota, pântanos entre as serras, ventos predominantes, o PR diz uma coisa, o PM diz a mesma coisa, o PR diz outra coisa, o PM não diz outra coisa, Vila Moura, o congresso dos juízes na tasca Marinotel, intrigas, braços-de-ferro, testas-de-ferro, os nossos militares a ajudar Saddam Hussein e este, estas coisas custam caro, etc., etc.)

P.S.: eventuais reclamações na caixa de comentários.

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18 Novembro 2005

Início da guerra colonial


Um documento com um pedaço da História de Portugal digna de ser relembrada. Uma resenha do que foi o início da guerra colonial, centrada em Angola, com referências a Moçambique. Datas, embarque em Alcântara, desembarque em Luanda, concentração na "interface" do Grafanil (onde comecei a sofrer na pele os efeitos das "famosas" melgas. Fiquei como um cristo!), subsquente "viagem" até aos diversos teatros de operações. Dembos, Zala, para o meu batalhão.
Março de 1961. Vera Cruz, Tejo, Alcântara, "rapidamente e em força" (frase que ficou gravada na mente de todos, a menos que o tempo a tenha desvirtuado, já que não corresponde exactamente à que é referida ao lado da foto de Salazar, ou seja, "For Angola and by force if necessary") destino Angola, "Angola is ours", conforme link. No fundo da página (lado direito) aberta pelo link, faça o recomendado: "Click on image for the Angolan campaign" (resenha histórica do início da guerra, incluindo uma fotografia de... Salazar!).
Fica-se a saber quem financiava quem. Origem dos financiamento dos movimentos de libertação. O Movimento Nacional Feminino (que nós militares designávamos por gestos... e de quem recebíamos Bic's e aerogramas...), Cruz Vermelha Portuguesa, PIDE, etc.
Até nos é indicado o nome do primeiro morto em combate, em Abril de 1961: soldado pára-quedista Joaquim Afonso Domingues. E de como é que Cabinda (por causa dos campos de petróleo) e Diamang (por causa das minas de diamantes) mereceram o "rapprochement" dos três movimentos de libertação. E de como Che Guevara acompanhou e ajudou nas operações do MPLA!
Penso que, nomeadamente o conteúdo com que nos deparamos após abrir o link supra, merecerá o interesse de quem esteve na guerra e mesmo de quem "só" viveu em Angola e Moçambique.

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16 Novembro 2005

Ex-combatentes, III


Antes de mais os links dos posts anteriormente publicados sobre o assunto:
Este 3º post da série resulta de artigos publicados em vários jornais aquando do debate do OGE para 2006.
Reproduzo este:
«O Governo encontrou um "buraco" de cerca de sete milhões de euros no fundo destinado ao pagamento dos complementos de pensões dos antigos combatentes. Durante o debate do Orçamento de Estado para 2006, o ministro das Finanças disse ontem no Parlamento que "deveria haver uma provisão na ordem dos 14 milhões de euros, mas apenas se encontram cerca de sete milhões. É um buraco de metade."
Respondendo às críticas do CDS-PP de que 100 mil ex-combatentes estão desde Setembro sem receber o acréscimo das pensões, Teixeira dos Santos garantiu que os pagamentos serão efectuados em Novembro pela Caixa Geral de Aposentações»
in Destak de 11.11.2005 (versão em papel). Site do Destak.
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Na mesma data o JN, com destaque na 1ª página, referiu-se ao tema duma forma basicamente igual.
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No mesmo dia da edição do Destak enviei para o email oficial do jornal uma mensagem solicitando "alguma luz" para a obscuridade que tem rodeado este famigerado assunto:
Copio parte do email:
2. A edição do V. jornal em "Subject" contem, na página 5, uma notícia com o título "Ex-combatentes sem 7 milhões de euros". Reproduzo a parte final do artigo:
«Respondendo às críticas do CDS-PP de que 100 mil ex-combatentes estão desde Setembro sem receber o acréscimo nas pensões, Teixeira dos Santos garantiu que os pagamentos serão efectuados em Novembro pela Caixa Geral de Aposentações».
3. Ora, "100 mil ex-combatentes estão desde Setembro sem receber..." pressupõe que até Agosto receberam o "acréscimo nas pensões"...
4. Acontece que eu sou ex-combatente, oportunamente requeri o adicional e... nunca recebi nada!!!...
5. Os documentos mais recentes que possuo sobre o assunto consistem em:
a) (seguem-se referências ao email recebido por mim em 30.08.2005, enviado pelo Director-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar):
«solicito, para fins de pesquisa na base de dados, que proceda ao envio de informação mais detalhada, designadamente o nome completo, nº. de B.I ou nº.de subscritor/beneficiário do regime de segurança social no qual o ex-combatente está inscrito.»
(A "informação mais detalhada" constava toda do próprio requerimento que em 26.03.2002 enviara, via postal com AR, àquela Direcção-Geral, nos termos de Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro e Anexo à Portaria 141-A/2002 de 13 de Fevereiro)
b) (a minha resposta, da mesma data);
c) (último email recebido em 06.09.2005):
«Relativamente ao assunto em epígrafe, e em resposta ao solicitado, informoV. Exa. que o seu processo foi enviado em 30/11/2004 ao regime de segurança social do qual V. Exª. é beneficiario (C. D. Segurança Social), entidade que irá proceder aos ulteriores trâmites legais, pelo que deverá aguardar pela comunicação do seu Regime de Segurança Social»

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13 Novembro 2005

Um blog interessante...

... é A Lei do Funil. Vou deixar aqui o link dum post, só para amostra. Para além dos conteúdos, não muito extensos mas bem imaginados, a técnica de inserir imagens é surpreendente (pelo menos para mim). Há imagens animadas que saem fora da área de texto e regressam, parecem fantasmas!...
Então cá vai o link do post "Exige-se mais ao Presidente da República... ", e para continuar bem disposto recomendo ler/ver o blog todo! Nesse post inseri um comentário que já dá para encher este post:
«Eu tenho alguns Blogs com links repetidos na "Scrolling Blogroll". Porquê? Já tive oportunidade de dizer: porque tecnicamente são fora do vulgar! Daqui vejo, em A Lei do Funil, o controlador de referências com 293 registos para o Malaposta. Enquanto não me der para eliminar a "Scrolling", A Lei do Funil merece estar lá. Se eu fizesse comentários a todos os posts seria redundante... Que "raio" de imaginação, capacidade técnica, eu sei lá! Sei que quando cá chego farto-me de rir! Esta do Cavaco a trepar um coqueiro está de "partir o tarolo"! Não tanto pelo Cavaco, mas pelo esperto macaco que sai do rectângulo e entra na imagem, arreganha os dentes e aponta o dedo!... Voltei a repetir a experiência (sempre sem sucesso... mas eu comporto-me como o macaco, que não pára um instante): a. cliquei "direito" sobre o rectângulo do texto, fui às minhs imagens e o que lá tinha era apenas um bocado de papel! b. Fiz o mesmo à palmeira, aí sim: a foto estava lá. Eliminei-a logo porque sem o macaco perde todo o valor. Já disse que não posso referir-me a tudo. Desta vez acrescento o "BISCATEIRO", com o macaco a coçar a cabeça, e a mensagem do camelo! Os três exemplos estão assinados por dogofilo, mas o Abraço vai também para a Kao_Tica. :lol:, :), :(, :@, :D, :S, :l, :Ó, (sc) - se o blogs.sapo "decifrasse" um só destes códigos facaria autorizado a baixar 10% ao valor que me debita pelo serviço de internet! Malaposta Um simples URL? claro que o sapo também "desconhece" - só vai aparecer a partir de "Malaposta... Posted by: a.castro at novembro 8, 2005 05:07 PM »
E agora o "dogofilo" e a "Kao_Tica" vão ficar a saber que também sei fazer isto (he he) - quem sabe se me poderão arranjar um emprego, não digo a prazo porque está difícil, mas ao menos à tarefa:
(Edição: foram eliminadas as imagens que havia inserido porque ficaram uma vergonha)

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11 Novembro 2005

Álvaro Cunhal em selo



Os CTT vão assinalar o aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal , a 11 de Novembro, com a edição de um selo e um bloco filatélico que retratam o líder histórico comunista.
in "Destak", Actualidade, 9 Nov.2005
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Nota: o jornal publica uma foto de Álvaro Cunhal do tempo em que ele tinha as sobrancelhas mais crescidas e brancas do que a foto que escolhi.
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07 Novembro 2005

Contrato do Malaposta

1. Partidos políticos
Classifico assim os actuais partidos políticos com representação parlamentar:
Partidos de esquerda: Partido Socialista, Partido Comunista/Os Verdes e Bloco de Esquerda.
Partidos de direita: PSD e CDS.
Se tiver que “desdobrar” tais partidos, o meu entendimento é este:
Partido Socialista: esquerda e centro-esquerda;
Partido Comunista/Os Verdes: esquerda;
Bloco de Esquerda: extrema-esquerda;
PSD: direita
CDS: extrema-direita.
2. Eleitores ou votantes:
Todos os partidos contabilizam votos de cidadãos operários, intelectuais, seja o que for. Acontecem até, muitas vezes senão sempre, coisas que aparentemente não fazem sentido, como, por exemplo, operários votarem no CDS. Quando os operários construiram a minha casa, tive oportunidade de saber (sem perguntar) que havia “gostos” que abrangiam todo o leque partidário. Aqui “nada há a fazer”. Existem motivações objectivas e subjectivas. Não se deve, pois, “apontar o dedo” aos eleitores. Cada um sabe de si. Um exemplo: eu e todos os meus vizinhos de rua esperamos, desde 1998, por uma intervenção camarária ao nível do saneamento básico e do “tapete” da rua, que desapareceu, dando lugar a pedras soltas e buracos. Todos se queixam e, na semana que antecedeu as autárquicas, o acordo era unânime: “estes gajos tratam-nos como gente do 3º mundo”. No dia seguinte ao das eleições, passei por um deles (com quem falo mais frequentemente) e “atirei”: “ganharam os mesmos, continuamos com os buracos”. A reacção, sorridente, foi esta: “Olhe, e eu também ajudei, que se lixe, a gente deve votar sempre nos mesmos, eu sou do mais direita possível”. Eu já há muito presumira, ele nesse dia foi explícito. Eu mudei rapidamente de assunto, ele ficou, talvez, a saber o “implícito”. Não gosto de confrontos. Nem de discussões. Não levam a lado nenhum. E se eu pensasse, ou melhor, se dissesse a alguém, por exemplo, que, como não gosto do CDS, admitia a probabilidade, histórica ou não, desse partido vir a definhar rapidamente, estaria a exceder os limites da decência. Muito, muito pior, seria dizer, por exemplo, que o definhamento do CDS seria inevitável com a morte dos eleitores sua base de apoio, tradicional ou não. Uma coisa é o direito a criticar os partidos, quando alguém entender que o deve fazer (ou elogiar, o que parece vir sendo cada vez mais raro…), outra, bem diferente, é, por exemplo, fazer abusivos juízos de valor sobre os eleitores. Não há necessidade, não é bonito, é, até, deselegante exercer retórica sobre o que os cidadãos são ou deixam de ser. Os cidadãos eleitores (venho-me referindo particularmente aos não militantes) não têm que se meter no eventual definhamento dos partidos. Os partidos são como empresas. Há muitas empresas que encerram. Outras juntam-se. Outras ainda mudam-se. Não sou eu ou qualquer cliente que vai evitar isso. O PRD do General Eanes quanto tempo durou? Dois, três anos. E conseguiu, no 1º ano, um grande grupo parlamentar. O CDS pode, porventura, fundir-se com o PSD. Ou encerrar actividade. O mesmo pode suceder com o BE e com o PCP. Nessa eventualidade logo se veria. Os eleitores limitar-se-iam a reagir como se, dirigindo-se a uma determinada casa comercial que conheciam bem, deparassem com um aviso do género: “encerrado definitivamente”.
Tenho feito comentários em alguns blogs. Só quando o assunto nada tem a ver com política, a menos que concorde, como acontece muitas vezes, com determinados textos, não obstante saber que o autor do blog não é da minha “cor partidária”. Há já alguns meses, um determinado blog, que tinha o link do Malaposta, e que era por mim visitado diariamente (o controlador de referências registava cerca de 130 visitas), publicou um post de “lançamento da candidatura de Mário Soares” (“Mário Soares à Presidência”). Nesse blog lia coisas de que gostava, outras “passava à frente”. Entretanto, eu publiquei dois posts com a foto de Manuel Alegre, expressando a minha opinião, sem me referir a ninguém. Um certo dia reparei que desse blog não constava o link do Malaposta. Enviei um email, pequenino, a perguntar se o link desaparecera acidentalmente ou se “algo terá corrido mal?”. Não recebi resposta. Até hoje e até nunca. Mantive o link desse blog durante 15 dias, abria o blog diariamente, não para ler mas apenas para confirmar o desaparecimento do link. Então eliminei o link do tal blog e pensei: “as coisas são como são, as pessoas são livres de fazer o que acharem por bem, sigamos em frente que a vida não acaba aqui”. Refiro “Mário Soares à Presidência” apenas como hipótese provável. Certeza só a obteria se me tivesse sido fornecida a explicação, por email, como julgava poder esperar. Bastaria um email de 4Kb. A Microsoft aconselha a eliminar, sem abrir, qualquer mensagem de tamanho superior a 80 Kb, “ mesmo que tenha a certeza de que se trata dum amigo”. Ora, uma mensagem de 30 a 40 Kb dá para encher “um lençol”!
Não somos, pois, todos iguais. E é bom que assim seja. Todos os partidos que têm assento na Assembleia da República, por mandato popular, devem ser colocados num plano de igualdade. O que eles fizerem só a eles próprios e aos partidos a que pertencem dirá respeito. Penso até que seria melhor não haver maiorias absolutas. O contraditório fica penalizado. Mas isso é o que eu penso. A realidade é que conta. E a realidade actual é uma maioria absoluta, ou seja, foi assim o resultado apurado nas urnas. Mas acho, sinceramente, que uma maioria absoluta me faz lembrar a antiga Assembleia Nacional, não tão esquecida como poderia parecer… Acho, por isso, que seria preferível existir uma oposição forte. Só assim é que a sua função de fiscalização do governo e de moderação de algumas iniciativas poderia ser conseguida.
3. Presidenciais
Assisti pela Sic Notícias, em directo e na íntegra, à leitura do "Contrato Presidencial" de Manuel Alegre. Antes de mais vou “despachar” os dois candidatos à esquerda de Manuel Alegre. Essas candidaturas não são de estranhar. Sempre foi assim. É uma questão de princípio dos partidos. Não discrimino. Aplica-se também aos partidos da direita e da extrema-direita. Eles é que sabem. Mas, quanto aos dois da esquerda e extrema-esquerda, o normal é a desistência , que até pode surgir logo por “falta de comparência”. Mas uma coisa é certa: os votos dos cidadãos eleitores desses dois partidos vão servir a alguém. Como sempre. Lembro-me perfeitamente que o “duro e teimoso e mais não sei quê” Álvaro Cunhal era suficientemente inteligente para adoptar a estratégia do mal menor. E Jerónimo de Sousa, que tem a escola do partido, seguirá o mesmo caminho. E então, na 2ª volta, se chegarmos lá, os votos dos cidadãos eleitores comunistas e bloquistas irão ser agradecidos por alguém. Nessas ocasiões os votos são bons, iguais aos dos outros.
Regresso a Manuel Alegre. A diferença entre ele e os outros dois, Mário Soares e Cavaco Silva, é como a água do vinho. Pessoal, intelectual e politicamente, ele sim, com uma visão correcta de Estado. É evidente a sua elegância de formação, muito afastado dos chavões estereotipados e comprometidos dos outros dois candidatos. Pessoalmente, não tenho dúvidas de que Manuel Alegre deveria ser o próximo Presidente da República. Com um Contrato Presidencial bem estruturado, é o único que, sem sequer precisar de fazer “trabalho de casa” ou de “outros”, faz referência a valores importantes como as preocupações sociais (que se têm vindo a degradar progressivamente), para além do correcto (e não demagógico) enquadramento das competências do Presidente da República com a Constituição e com a lógica mas inovadora ideia de as pôr em prática. Surpreendo-me com o anúncio de José Saramago em votar Mário Soares na 2ª volta, mas surpreendo-me ainda mais, não com o anúncio mas com o facto de Ramalho Eanes estar ao lado de Cavaco Silva. Ramalho Eanes que, recorde-se, fundou o agora extinto PRD (continuado por Ermínio Martinho) de ideologia não compaginável com a de Cavaco Silva.
4. Cultura
José Saramago é o único prémio Nobel da literatura português. Já fora nomeado pata tal distinção aquando do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Com a censura exercida pelo governo da altura (já não me lembro qual), logo anti-democrático, Saramago não arrecadou o prémio. Está a sair uma nova obra dele, que não deixarei de adquirir. Saramago é, para mim (política à parte), o melhor escritor português da actualidade. As suas obras agarram o leitor à cadeira. Dá vontade de ler os livros dele dum fôlego só! Quando ele mudou o estilo da sintaxe fiquei um pouco perplexo. Mas foi só no primeiro romance. Logo me habituei e, além de único, julgo, tal estilo “obriga” a uma leitura mais rápida – de que gosto, para satisfazer mais depressa a curiosidade e o “suspense” seguintes. Só não tenho dois ou três livros, por “culpa do blog” (que também me tem roubado tempo para ouvir música!). Uma curiosidade: cada livro de Saramago lido deixa-me associada uma “imagem” que nunca esqueço. Quatro exemplos: a) Ensaio Sobre a Cegueira começa num cruzamento semaforizado, Av. da RepúblicaXRua de Angola, Gaia; b) Jangada de Pedra e o cão perdido que passou a Achado levam-me até ao monte de Stª Tecla, entre Vigo e Tui; c) Todos os Nomes conduzem-me à Escola Secundária António Sérgio, Gaia, cujos arquivos são revistados à sucapa pelo “conservador”; A Caverna imigino-a num grande edifício em forma de “U” na zona oriental de Lisboa.
5. Futebol
A quantidade de clubes de futebol é muitíssimo maior do que a dos “clubes” políticos. Todos têm adeptos, até os mais pequenos. E pagam para ver. No entanto não podem interferir. Limitam-se a reagir alegre ou tristemente, conforme os resultados.
Também aqui há razões objectivas e subjectivas para os cidadãos preferirem um determinado clube. O meu clube, por exemplo, é o FCPorto. Porquê? Porque, a partir de minha casa, eu e outros miudos de 8/9 anos íamos para o Estádio das Antas e entravamos agarrados às abas dos casacos dos homens. E há 26 anos atrás? O meu filho, com 4 anos de idade, passou a ser portista como aprendeu com o pai. Agora é ele que sabe mais do assunto. E estas coisas “pegam-se” nas famílias, com algumas excepções. Igualmente nisto, não entendo que os adeptos de X são os bons e os de Y os maus. Há que respeitar a opção que, por motivos que saberão explicar, cada pessoa elegeu ou elege.

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06 Novembro 2005

O povo nunca se revolta?



«(....) - É extraordinário! E o bom senso, não o há?
- Evita-se: porque tê-lo chama-se pedantismo e publicá-lo chama-se insulto.
- Mas esse povo nunca se revolta?
- O povo às vezes tem-se revoltado por conta alheia. Por conta própria, nunca.
- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?
- Um país geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer. (...)»

Eça de Queirós, Uma Campanha Alegre, LIII, Janeiro 1872
Posted by Fradique

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02 Novembro 2005

Bush e a lei da rolha

"Give me a brain!"

O país da maior democracia, da liberdade, das armas e de tudo. Este é o sub-título da notícia publicada no Diário Digital:
Os jornalistas norte-americanos acusaram domingo a administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de secretismo em relação à comunicação social, obrigando-os a citar cada vez mais fontes anónimas.
Notícia completa: link
Lá tenho novamente que ir à procura do retrato, que está na pasta "arquivo morto". Desta vez vai ficar bem ao centro. Como ele solicita "Give me a brain", façamos-lhe a vontade: Give Bush a Brain.
Edição: Onde está "arquivo morto" estava outra coisa que foi substituida por causa do lápis azul. Além disso, prometo que o próximo post será extenso para empurrar este bem lá para baixo!...

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