Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

03 julho 2016

S. João no Porto

Origem das festas no Porto.A

pesar de festejado em toda a Europa, é na cidade do Porto que os festejos de S. João atingem o seu ponto mais alto. O S. João é uma festa cíclica, de raíz pagã, e assenta em "sortes" amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam intimamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo, assim como às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios [não do Rio], do mar e das fontes. O cristianismo soube, de forma inteligente, cristianizar as festas pagãs em geral e o S. João não foi excepção. O nome do santo a dominar e a proclamar uma festa que no Porto se celebra na noite de 23 para 24 de Junho com desfiles de rusgas populares, arraiais nos quatro cantos da cidade e vários bailaricos.

Ponte do Infante que veio substituir o tabuleiro superior da Ponte D. Luis


Ponte do Infante

Já Fernão Lopes, na sua Crónica de João I, recorda que no século XV, a véspera de S. João era o dia em que os habitantes do Porto tinham por hábito fazer uma "grande festa". A cidade, então com um pouco mais de duzentos anos, tinha já uma forte tradição são joanina. Misto de sagrado e profano, as festas de S. João baseavam-se em rituais de consagração e desencadeavam ritos de profanação. Na noite de S. João, a popolução munia-se de alho porroEu sou um alho porno, aliás, alho porro para afastar os espíritos sinistros. Mas utilizavam igualmente a erva-cidreira: «Quem quiser curar feitiços/tome chá de erva-cidreira/colhida por uma donzela/na noite sanjoaneira», dizia-se, na altura. O local das festas variava com o tempo e os poderes. Podia depender do esforço das Igrejas e o S. João andou de rua em rua, passando pela Rua das Hortas, Carlos Alberto, Lóios, Rua do Rosário, Laranjal, Clérigos e Rua Santo António [actualmente Rua 31 de Janeiro]. Passou ainda pela Rua do Almada, Carmo, Cimo de Vila e Cedofeita. Em 1856, o periódico nacional fazia um relato que é familiar da noite de S. João. «O Porto estava na rua, suava, acotovelava-se, trilhava-se e ria, deixando os penates a sós.»
Pontes sobre o Rio Douro que ligam as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, (de jusante para montante): Ponte da Arrábida (rodoviária), Ponte Luis I (tabuleiro inferior, rodoviário; tabuleiro superior, Metropolitano), Ponte D. Maria (ferroviária, actualmente desactivada), Ponte do Infante (rodoviária), Ponte de S. João (ferroviária) e Ponte do Freixo (rodoviária). [Está projectada uma nova ponte, a quota baixa].
Quando Rui Veloso canta que "... quem vem e atravessa o rio, vê um velho casario...," está a referir-se à Ponte Luis I. O autor do Malaposta não sabe se o Rui Veloso está esta noite no Porto. Mas é costume e até politicamente correcto que os presidentes da República se misturem com a multidão. Falta saber se o Cavaco e o Sócras não podem vir por causa do déficit!...

Nota: Quem atravessa a Ponte do Infante, no sentido sul-norte, "cai" justamente nas Fontaínhas, o "epicentro" das festas, pelo menos de há 50 anos a esta parte. O dono do Malaposta, muito jovem, passava a noite nas Fontaínhas a jogar matraquilhos com os amigos. E, vaidade à parte, metia os golos quase todos com a cabeça do "jogador" do centro dos 3 "jogadores" mais avançados (quem percebe disso sabe do que estou a falar).


Confirmo tudo o que diz o Malaposta......eu também confirmo...... e eu para não ser desmancha-prazeres também confirmo porque o Malaposta fica todo vaidoso!

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17 maio 2015

S. João no Porto

Origem das festas no Porto.A

pesar de festejado em toda a Europa, é na cidade do Porto que os festejos de S. João atingem o seu ponto mais alto. O S. João é uma festa cíclica, de raíz pagã, e assenta em "sortes" amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam intimamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo, assim como às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios [não do Rio], do mar e das fontes. O cristianismo soube, de forma inteligente, cristianizar as festas pagãs em geral e o S. João não foi excepção. O nome do santo a dominar e a proclamar uma festa que no Porto se celebra na noite de 23 para 24 de Junho com desfiles de rusgas populares, arraiais nos quatro cantos da cidade e vários bailaricos.

Ponte do Infante que veio substituir o tabuleiro superior da Ponte D. Luis
Ponte do Infante

Já Fernão Lopes, na sua Crónica de João I, recorda que no século XV, a véspera de S. João era o dia em que os habitantes do Porto tinham por hábito fazer uma "grande festa". A cidade, então com um pouco mais de duzentos anos, tinha já uma forte tradição são joanina. Misto de sagrado e profano, as festas de S. João baseavam-se em rituais de consagração e desencadeavam ritos de profanação. Na noite de S. João, a popolução munia-se de alho porroEu sou um alho porno, aliás, alho porro para afastar os espíritos sinistros. Mas utilizavam igualmente a erva-cidreira: «Quem quiser curar feitiços/tome chá de erva-cidreira/colhida por uma donzela/na noite sanjoaneira», dizia-se, na altura. O local das festas variava com o tempo e os poderes. Podia depender do esforço das Igrejas e o S. João andou de rua em rua, passando pela Rua das Hortas, Carlos Alberto, Lóios, Rua do Rosário, Laranjal, Clérigos e Rua Santo António [actualmente Rua 31 de Janeiro]. Passou ainda pela Rua do Almada, Carmo, Cimo de Vila e Cedofeita. Em 1856, o periódico nacional fazia um relato que é familiar da noite de S. João. «O Porto estava na rua, suava, acotovelava-se, trilhava-se e ria, deixando os penates a sós.»
Pontes sobre o Rio Douro que ligam as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, (de jusante para montante): Ponte da Arrábida (rodoviária), Ponte Luis I (tabuleiro inferior, rodoviário; tabuleiro superior, Metropolitano), Ponte D. Maria (ferroviária, actualmente desactivada), Ponte do Infante (rodoviária), Ponte de S. João (ferroviária) e Ponte do Freixo (rodoviária). [Está projectada uma nova ponte, a quota baixa].
Quando Rui Veloso canta que "... quem vem e atravessa o rio, vê um velho casario...," está a referir-se à Ponte Luis I. O autor do Malaposta não sabe se o Rui Veloso está esta noite no Porto. Mas é costume e até politicamente correcto que os presidentes da República se misturem com a multidão. Falta saber se o Cavaco e o Sócras não podem vir por causa do déficit!...

Nota: Quem atravessa a Ponte do Infante, no sentido sul-norte, "cai" justamente nas Fontaínhas, o "epicentro" das festas, pelo menos de há 50 anos a esta parte. O dono do Malaposta, muito jovem, passava a noite nas Fontaínhas a jogar matraquilhos com os amigos. E, vaidade à parte, metia os golos quase todos com a cabeça do "jogador" do centro dos 3 "jogadores" mais avançados (quem percebe disso sabe do que estou a falar).


Confirmo tudo o que diz o Malaposta......eu também confirmo...... e eu para não ser desmancha-prazeres também confirmo porque o Malaposta fica todo vaidoso!

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02 janeiro 2014

Arte!...

Arte!...


Clicar em "Arte!..." (por cima de mim!!!...)
Nota: Este post é o mais extenso publicado por este blog, por isso é candidato ao Guiness!!

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01 maio 2012

How do You Blog?

HOWdoYOU
Blog?

It's a textual thing. Pure text with some inline CSS. No graphics required.
Already have an account? Sign in to Blogger or Sign in to Blogger2. So simple like that! Well... we don'nt like Blogger2.It's clear than Blogger2 is worst than the previous one.


There are different options to Blogger: the "livejournal". Once deleted, we can get it back within 30 days! Loook at guerrilheiro's journal, for example. Ok, comments on livejournal don't admit hugs and kisses (or something like that), the Blogger does. And somepeople consider more important hugs, kisses and beijokas than posts! The title's blog is to keep secret (this time...)

Yeh, I'm twinkle but don't say to whom!...

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O peixinho encarnado


Já não me lembro bem...

Já não me lembro bem como é que o Sushi entrou na minha vida. Acho que me foi oferecido por uma amiga. Tinha tido vários peixinhos encarnados quando criança. Eu queria um cão ou um gato, os meus pais deram-me um peixe num aquário redondo. Os peixes nos aquários redondos enlonquecem, diz-se. Não sei se é verdade mas é bem provável. Se eu fosse peixe, enlouquecia de certeza a andar para ali sozinha às voltas sem destino nem propósito (que é, bem vistas as coisas, o que acontece a toda a gente). Seja como seja, o certo é que os peixinhos lá tiveram o seu anunciado e precipitado fim: um belo dia, boiavam, sem um bilhete de despedida ou sequer um ai, na redondez do aquário. Fosse da loucura, da lixívia que põem na água da torneira, de algum decreto genético ou de congestão, os peixinhos encarnados morriam como tordos (aliás, os tordos é que morrem como peixinhos encarnados). E eu desisti de ter peixes.Fernanda Câncio
Até que, já crescida e trintona, me ofereceram o Sushi. O Sushi durou mais que os outros todos. Um ano e meio, dois? Já não sei. Durou muito para um peixe de aquário redondo, o suficiente para eu achar que podia durar mais (para sempre?) e me tomar de amores e preocupações por ele. Uma manhã, porém, surgiu menos vivaço na arremetida para os flocos da racção, com uma descoloração nas escamas. Mais uns dias e tinha um inchaço a crescer e nadava de lado, lentamente, respirando a custo. Inconformada, liguei para várias lojas de peixes a narrar os padecimentos. «Por que não compra outro?», perguntavam-me. «Deite esse fora, não vale a pena gastar dinheiro a tentar salvá-lo».
Os peixes encarnados são baratos, muito baratos e muitos. E todos iguais: quem viu um viu todos. Não falam, não abanam o rabo, não dão marradinhas nem ronronam, não fazem nada a não ser nadar, comer e morrer estupidamente, mais tarde ou mais cedo. Nem sequer gostam de festinhas, como as raias que num aquário da Noruega vi procurarem as mãos dos turistas para longos afagos (e lá se foi o meu gosto por raia frita). Nada: é bem possível que os peixinhos encarnados nem dêem conta da nossa existência, quanto mais gostar de nós - que é o que nós queremos e exigimos de toda a gente, pessoa ou animal ou planta, em quem investimos afecto.
Normal pois que quando saí de casa com o Sushi para andar de loja em loja a tentar encontrar-lhe uma cura tenha sido olhada como louca varrida. «Deixe-o cá e leve outro», propunham-me, talvez a ponderar uma chamada discreta para o Júlio de Matos para averiguar de uma fuga. «Ele vai morrer de qualquer maneira, o coitadinho até está a sofrer.» Eu insistia: não há nada que eu lhe possa dar? Um remédio? Não, não havia remédio. A bem dizer, ninguém sabia o que o Sushi tinha. Ninguém se interessa em conhecer as doenças dos peixinhos encarnados e em encontrar-lhes cura: para quê?
Levei o Sushi para casa e esperei. Durou mais uma semana. Não tive coragem de fazer o que me aconselhavam «para lhe acabar com o sofrimento» (e com o meu, suponho): despejá-lo na sanita e puxar o autoclismo. Tinha uma esperança idiota de que ele sobrevivesse. Vi-o agonizar em absoluta impotência.
E vi-o morrer, finalmente. Mais um peixinho emcarnado para o cemitário infinito, sem história, dos peixinhos encarnados. E para o cemitério infinito das histórias de afectos improváveis e sem retorno que incansavelmente perseguimos - à volta, à volta, à volta.

in Notícias Magazine #788 por Fernanda Câncio (na imagem).

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20 janeiro 2012

Secret Worlds



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10 junho 2011

Blogs regionais


Coruche: a vila, o Sorraia, a Campina e a Charneca na linha do horizonte.
Atente-se neste meu post: link. Já lá vão quase três meses! O blog Barbos e Bordalos gentilmente interveio numa questão de "pudim": aqui. Blog regional, assinado por JCP.O "pudim" passou a aparecer em tudo quanto é motor de busca!
Por motivos que hei-de explicar, "recuperei" agora o Barbos e Bordalos. Pode-se verificar que o JCP é J. Costa Pereira, ou, mais completo "noutro sítio do blog", João Costa Pereira.
E a "recuperação" do Barbos e Bordalos, blog regional, merece visibilidade nacional. Senão vejamos (sem ser exaustivo):
Posts de Março 2005: Post1 , Post2, Post3, Post4, Post5, Post6, Post7.
Posts de Abril 2005: Post1, Post2, Post3, Post4 (o tal do pudim).
Posts de Maio 2005: Post1, Post2, Post3, Post4 (o post1 está repetido com o post 4 de Abril)
Posts de Junho 2005: Post1, Post2 (parte 1)
Posts de Junho 2005: Post3, Post4 (parte 2)
Posts de Junho 2005: Post5, Post6 (parte 3)
Posts de Julho 2005: Post1
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O blog Barbos e Bordalos, um blog regional, tem, para o meu gosto, substância a nível nacional, tendo ainda o grande mérito de, com as denúncias de situações anómalas, ter obtido resultados de quando em vez - e isso é um apreciável serviço que o "antigo" JCP vem prestando em benefício da sua região.
Pode ser que a gente se encontre regularmente, porque, afinal, o "pudim" por si só não satisfaz o estômago!

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04 novembro 2008

O que não te disse

P

or vezes, vejo o teu reflexo num vidro em plena rua. De relance e sem razão. E fico parado, sustenho a respiração e sei que não és tu. Como poderias ser tu se partiste há tanto tempo? Mas deixo-me ficar quedo, a saborerar aquilo que me parece ser o contorno do teu corpo, do teu rosto, com medo de me mover e fazer desaparecer aquele jogo de sombras que se assemelha a quem foste. Outras vezes, o perfume da lavanda chega até mim e lá estás tu, o teu lenço branco encharcado em perfume e o leve aroma que deixavas quando te movias pela casa. As saudades nunca morrem. As saudades têm cheiros, têm cores e habitam onde menos se espera. Dentro do nosso coração, convivem com a realidade dos dias, os nossos mortos, aqueles que amámos e de quem nunca nos despedimos verdadeiramente. E sabes, descubro agora chegado a esta fase da vida, que a dor da separação é igual, é sempre a mesma, apenas veste corpos diferentes e nome diferentes. Deve ser este o preço do amor. Mas existe quem viva bem com a saudade e eu imagino que sejam aqueles que tiveram tempo de dizer tudo o que sentiam antes da partida. A minha vida continua igual, o meu coração envelheceu mas ama da mesma forma e, por alguma razão cruel, as pessoas que mais amo são exactamente aquelas às quais nunca poderei dizer tudo ou, pelo menos, fazê-las compreender o que significam para mim. Olho o rio e sinto o escoar do tempo. Viver é isto.


Luisa Castel Branco, in Destak

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08 outubro 2007

Luís Castro

Repórter de guerra apresenta cenários de guerra vistos pelos olhos de um dos mais corajosos repórteres portugueses.

Contar a verdade mesmo que isso lhe custe a própria vida, é esta a missão assumida por Luís Castro.


De Cabinda a Timor, da Guiné ao deserto iraquiano, o jornalista vestiu o papel de repórter, que lhe deu, mais do que glória e fortuna, a possibilidade de ter estado onde se escreveu História. Das suas mãos chegaram mais de quatrocentas reportagens a Portugal, acompanhadas de imagens que valem tanto como as palavras que redigiu e que o colocaram no centro de tantos conflitos armados.


Luís Castro reviu blocos de apontamentos, visionou mais de mil horas de imagens, transcreveu diálogos e falou com os repórteres de imagem que o acompanharam em cada momento, mas este livro é muito mais do que fruto de um trabalho minucioso. É um percurso de um homem de coragem, que mesmo nas piores situações não virou a cara à luta e sobreviveu para a contar. Recusando artificialismos e rodeios, registou os factos e no livro "repórter de guerra" descreve o que (lhe) aconteceu, sem tirar nem pôr. Sobre o autor, importa referir que Luís Castro é jornalista da RTP desde 1992, sendo coordenador do Telejornal desde 2004. Ao serviço desta estação já cobriu 16 guerras ou situações de conflito, das quais se destacam Iraque, Afeganistão, Angola e Timor.

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21 maio 2007

Acabou a roupa-velha

Nas nossas conversas, vem sempre à baila a ideia de que andamos a falar pior, de que os estrangeirismos inundaram a linguagem e de que o português escrito se tornou um verdadeiro atentado terrorista ao idioma de Camões. Só de pensar nisso até já estou a ficar com stress! Começámos a funcionar exclusivamente com as siglas e já nem sabemos o que elas representam. A ONU e a NATO? É tudo a mesma coisa! O verbo "haver" passou a ser conjugado em todos os tempos, nas três pessoas do singular e do plural, em quaisquer (ou quais queres?) circunstâncias. O fio dental passou a significar calcinha, tendo o original de mudar o nome para fio dentário, por causa das confusões... Fernão Magalhães deve ter sido o primeiro campeão nacional de windsurf. Rimbaud era o Rambo francês que fazia parte dos três mosqueteiros. Superavit não é o conceito inverso de deficit, mas sim um creme para eliminar as rugas.

Como testemunho disso, invocamos algumas tiradas jornalísticas que fizeram história, as declarações das gentes do futebol afirmando que só se fazem prognósticos de resultados no final dos jogos ou tabuletas afixadas por esse Portugal fora com frases hilariantes. Em suma, toda a gente abana a cabeça em sinal afirmativo sempre que algum de nós declara sermos, todos, uma cambada de ignorantes - com a ressalva, óbvia, de a nossa pessoa constituir excepção. Pois bem, é completamente abusiva e falha de justificação tal crença. Bem pelo contrário, os portugueses estão cada vez mais evoluídos, mais cultos. E esta é uma realidade perfeitamente demonstrável. Basta, para isso, seguir aquela máxima segundo a qual um povo se define por aquilo que come. A simples leitura da ementa em qualquer restaurante, ou a consulta das receitas culinárias que aparecem nos magazines, dão-nos testemunho do facto. No mais modesto dos estabelecimentos de restauração podemos verificar que a roupa velha passou à história. Em vez dela, o cardápio anuncia bacalhau da Noruega desfiado, com batatinha do Oeste, em azeite beirão.

Deixámos para trás a confecção dos alimentos à moda da tasca para entrarmos, definitivamente, na culinária de elite da União Europeia! Ao sogro, recomendamos que jamais reclame «Ó amigo, esta amostra de peixe está crua!», quando não pudermos evitar que vá connosco ao mais novo restaurante japonês lá do bairro. Já faz parte do passado cometermos a grosseria de engolir umas febras na brasa. Os ventos do progresso trouxeram-nos o privilégio de degustar tranches de porco preto do Alentejo grelhadas ao carvão; [nem mais, foi isto que o empregado de mesa me aconselhou para almoço, num restaurante do centro de Estremoz, em 30.07.2006 - e o Malaposta quase vomitava tudo!] e, para completar tão opíparo menu, passou a estar incluido na nossa dieta regular o sempre delicioso creme de leite com arroz do Sado e pitada de canela da Índia. [o Malaposta nunca comeu isto!] Quem come assim não pode, pois, ser chamado de iliterado!

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11 março 2007

50 anos de RTP


50 anos de RTP. Que história?

A RTP festejou 50 anos de uma existência irregular. Significativamente não há nenhum livro de história sobre a RTP. Ela própria transmite de si uma imagem retocada, cheia de brancas e pó de arroz, e , qual senhora de idade, não gosta de ser fotografada de muito de perto. Nasceu como um monumental instrumento de propaganda sem réplica do regime salazarista que lhe marcou a imagem com uma profunda cicatriz no interior de um corpo que cresceu numa endogenia envenenadora do sangue e lhe cruzou cumplicidades tão duráveis quão escondidas.
Vamos voltar a ver pela enésima vez a visita da Rainha Isabel, os programas de cinema de António Lopes Ribeiro, os poemas ditos por João Villaret, os magriços em Inglaterra, o Zip-Zip e Vitorino Nemésio, como se isso bastasse para esconder o papel político da RTP ao serviço da ditadura. A comissão que preside às comemorações dá bem a medida da evolução na continuidade que espera os telespectadores.

Texto copiado de Bicho Carpinteiro

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05 março 2007

Conspiração

'Quando o chinoca parar e nos abrir a gaiola vamos comê-lo todo...' 'Ossos e tudo?' 'Claro, o gajo é um animal!'


Este post é um ficheiro oculto do Windows. Mas pode ser aberto e lido. Tem é que voltar a ser escondido para evitar bugs.


'Acham que os porcos têm razão para conspirar?... Claro! O chinoca nojento não tem respeito nenhum pelos porcos! Vão comê-lo vivo e é bem feito!'

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29 janeiro 2007

Viver só

Luisa Castel-BrancoSe há algo para que a vida não nos prepara é para a morte. É estúpido, mas verdadeiro, porque desde que nascemos esta é a única certeza da nossa vida. Mas existem muitos tipos de morte. A física, a partir do corpo e da alma de alguém, essa é uma dor infinita. Mas também existe a morte do amor, uma e outra e outra vez, porque podemos morrer um pouco todos os dias na ausência do ser amado, na necessidade de continuar a viver, mesmo que sem sentido. E a morte da amizade, porque a vida encarrega-se da erosão daquela dedicação entre dois seres humanos que não é passível de transcrever em palavras, é apenas o estar lá quando o outro se perdeu.


A morte das relações familiares. Os laços de sangue vão perdendo a sua força e de repente damos connosco num beco sem saída, num deve e haver de mágoas que destroem para sempre aquilo que um dia foi a nossa história, a história do nosso berço e de quem nos rodeava desde os primeiros passos. A vida é madastra, diz o povo. E se dantes tudo isto era verdade, hoje, à velocidade com que vivemos os dias, nesta luta pela sobrevivência onde todos somos vítimas, mesmo aqueles poucos que detêm o poder, económico, passional, seja ele qual for, hoje as várias mortes acontecem cada vez mais cedo e mais depressa.


Vivemos rodeados por uma multidão de conhecidos e desconhecidos. E, contudo, vivemos uma solidão tão profunda que quase tem forma física, que quase se pode tocar. O nosso medo já não é morrer só, é viver só.

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06 outubro 2006

O que não te disse

P

or vezes, vejo o teu reflexo num vidro em plena rua. De relance e sem razão. E fico parado, sustenho a respiração e sei que não és tu. Como poderias ser tu se partiste há tanto tempo? Mas deixo-me ficar quedo, a saborerar aquilo que me parece ser o contorno do teu corpo, do teu rosto, com medo de me mover e fazer desaparecer aquele jogo de sombras que se assemelha a quem foste. Outras vezes, o perfume da lavanda chega até mim e lá estás tu, o teu lenço branco encharcado em perfume e o leve aroma que deixavas quando te movias pela casa. As saudades nunca morrem. As saudades têm cheiros, têm cores e habitam onde menos se espera. Dentro do nosso coração, convivem com a realidade dos dias, os nossos mortos, aqueles que amámos e de quem nunca nos despedimos verdadeiramente. E sabes, descubro agora chegado a esta fase da vida, que a dor da separação é igual, é sempre a mesma, apenas veste corpos diferentes e nome diferentes. Deve ser este o preço do amor. Mas existe quem viva bem com a saudade e eu imagino que sejam aqueles que tiveram tempo de dizer tudo o que sentiam antes da partida. A minha vida continua igual, o meu coração envelheceu mas ama da mesma forma e, por alguma razão cruel, as pessoas que mais amo são exactamente aquelas às quais nunca poderei dizer tudo ou, pelo menos, fazê-las compreender o que significam para mim. Olho o rio e sinto o escoar do tempo. Viver é isto.


Luisa Castel Branco, in Destak

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04 outubro 2006

Bola-de-berlim

Se a felicidade estivesse nas dietas, quem teria inventado a bola-de-berlim?

F

iz dieta no domingo. O dia inteirinho. A primeira etapa foi dormir até ao mais tarde possível, e cumpri-a com rigor e excelência. Li um artigo, numa revista científica entenda-se, que garantia que queimamos imensas calorias de olhos fechados e deitados na horizontal, como aliás sempre suspeitara. Afinal algum carburante tinha de alimentar os sonhos e os pesadelos, quer consistissem em correr um shopping com um cartão de crédito ilimitado ou salvar o escalpe em fugas de deitar os bofes pela boca! E, além do mais, é lógico: enquanto dormimos não assaltamos o frigorífico. A segunda fase do regime já foi mais complicada, mas não comi nem pão nem manteiga, e resisti até à fatia de bolo de chocolate que sobrara da véspera. Ao pôr-do-sol já tinha a certeza da vitória, mas infelizmente o ponteiro da balança não colaborou. Não se mexeu nem um graminha para baixo. Ora, para alguém que, como eu, tem plena consciência de que a vida são dois dias e um é para acordar, gastar aquelas que poderiam ser as últimas 24 horas que me restavam a privar-me do pecado da gula parecia-me um imperdoável desperdício. A sério, o importante era que metêssemos na cabeça que esta obsessão pelas dietas , que se nos cola irracionalmente como uma lapa, resulta do facto de termos transformado a "magreza" no paradigma da felicidade. Ser magro só tem a ver com a ideia mágica de que, a partir do momento em que conseguirmos "entrar" naquele biquíni sexy, então sim a nossa vida vai mudar. Vamos atrair mais amigos, mais namorados, empregos melhores, vamos ser admirados e invejados e por isso tudo felizes. Só que é tudo mentira, uma mentira que ataca sobretudo no Verão, quando somos supostos exibir um corpo escultural. Mas viaje na memória, para provavelmente concluir que o problema não pode estar nos pneus a mais nem a menos, porque se calhar nunca foi feliz numa praia, nem em pequena, nem em grande, nem em biquíni, nem em fato de banho. Se calhar o problema é mesmo a praia, porque, bem vistas as coisas, a bola-de-berlim nunca lhe caiu mal!

NM, Isabel Stilwell [que parece não conhecer todas as bolas-de-berlim, diz o autor do Malaposta!]

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16 setembro 2006

Que Carrilho




Carrilho ensina a prevenir violência doméstica

Peço desculpa. Sei que já passou algum tempo desde aquela maravilhosa lição de insanidade que o professor Manuel Maria Carrilho deu aos telespectadores no programa Prós e Contras, mas a verdade é que ainda me ressoam nos ouvidos algumas das suas frases «capilares», já que para lapidares ainda lhes falta um pouco... Como acontece com a alegação que tão acaloradamente defendeu de que a forma como nos comportamos em público nada tem a ver com a que adoptamos em privado. É que o meu pobre espírito ainda vivia na trevas, impedido de ver a luz pelas palavras decoradas do Catecismo, em que a letras de fogo se dizia que o logro não compensava, porque Deus via tudo - a imagem do menino a procurar esconder um vaso partido, perante os olhos perscrutantes do Altíssimo, não deixava qualquer margem para dúvidas. Infelizmente os meus pais aderiam à mesma linha filosófica, defendendo a importância da coerência e da integridade, sendo pouco sensíveis a esta ideia mais esquizofrénica, mas certamente infinitamente mais moderna, de que cada um de nós deve ser, pelo menos, dois. Mas após o debate entendi que afinal é perfeitamente admissível apertar a mão em público a alguém que se despreza em privado, bajular um inimigo num debate ou aliarmo-nos a um criminoso se houver mais gente na sala, sobretudo se forem jornalistas. E, graças à clarividência do professor Carrilho, julgo mesmo ter encontrado a solução para acabar com os crimes mais complicados de evitar e punir, exactamente aqueles que se praticam cobardemente longe do testemunho alheio, ou seja, no santuário do lar. Bem visível, para que nunca possa ser considerada uma filmagem à traição. Porque, bem vistas as coisas, é o Big Brother que faz da gente homens!

NM, Isabel Stilwell (na imagem).

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08 setembro 2006

How do You Blog?

HOW
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There are a different option to Blogger: the "livejournal". Once deleted, we can get it back within 30 days! Loook at guerrilheiro's journal, for example. Ok, comments on livejournal don't admit hugs and kissies (or somethink like that), the Blogger does. And somepeople consider more important hugs and kisses than posts!

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02 setembro 2006

Free Postcards



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Nota à atenção do Hammer,SA: Os comentários no seu blog não estão a funcionar! Queira ler o meu comentário num dos meus posts abaixo.

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27 agosto 2006

Instantes

Ironias do destino

Os primeiros passos que dei foram pela escada abaixo. Foi humilhante. Detesto cair. Aos vinte anos, armei-me em pitosga e jurava, a pés juntos, que só conseguia ver o sol pelas orelhas. Mesmo assim, fui apurado para todo o serviço militar. O comandante, quando me viu, meteu-me logo na secretaria do quartel. O comandante chegava sempre atrasado, tinha de levar a filha à faculdade. O impedido era atrevido e estava sempre ao serviço da mulher do comandante, que adorava os "desimpedimentos" atrevidos do impedido. Resultado, era eu que escrevia as ordens de serviço e os discursos do comandante. Não aprendi a manusear uma arma, mas aprendi a escrever ordens de serviço e discursos para comandantes. O comandante era progressista e eu aproveitava para escrever à maneira de um malandro de serviço no regimento de artilharia pesada. Um dia, uns aviões que andavam em manobras - treinavam um método americano chamado "gaiola aberta" - bateram uns nos outros como pardais drogados e cairam que nem tordos. Tive de escrever um discurso sideral, empolgando os aviadores e deixando de lado os responsáveis. O comandante leu o discurso e todos ficaram encantados com os pontos e vírgulas. Para eles, o comandante escrevia muito bem. Só que a filha do comandante, quando leu o discurso, disse: «Esse magala que escreve os teus discursos é um grande macaco.» Percebeu que eu escrevia de trás para a frente no sentido da ironia, estilo canalha no barbeiro. A filha do comandante era esperta! E eu lá caí outra vez!

in Destak, Paulo Anes, (instantes@destak.pt).

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24 junho 2006

Especial S. João

Origem das festas no Porto.A

pesar de festejado em toda a Europa, é na cidade do Porto que os festejos de S. João atingem o seu ponto mais alto. O S. João é uma festa cíclica, de raíz pagã, e assenta em "sortes" amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam intimamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo, assim como às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios [não do Rio], do mar e das fontes. O cristianismo soube, de forma inteligente, cristianizar as festas pagãs em geral e o S. João não foi excepção. O nome do santo a dominar e a proclamar uma festa que no Porto se celebra na noite de 23 para 24 de Junho com desfiles de rusgas populares, arraiais nos quatro cantos da cidade e vários bailaricos.

Ponte do Infante

Já Fernão Lopes, na sua Crónica de João I, recorda que no século XV, a véspera de S. João era o dia em que os habitantes do Porto tinham por hábito fazer uma "grande festa". A cidade, então com um pouco mais de duzentos anos, tinha já uma forte tradição são joanina. Misto de sagrado e profano, as festas de S. João baseavam-se em rituais de consagração e desencadeavam ritos de profanação. Na noite de S. João, a popolução munia-se de alho porro para afastar os espíritos sinistros. Mas utilizavam igualmente a erva- cidreira: «Quem quiser curar feitiços/tome chá de erva-cidreira/colhida por uma donzela/na noite sanjoaneira», dizia-se, na altura. O local das festas variava com o tempo e os poderes. Podia depender do esforço das Igrejas e o S. João andou de rua em rua, passando pela Rua das Hortas, Carlos Alberto, Lóios, Rua do Rosário, Laranjal, Clérigos e Rua Santo António [actualmente Rua 31 de Janeiro]. Passou ainda pela Rua do Almada, Carmo, Cimo de Vila e Cedofeita. Em 1856, o periódico nacional fazia um relato que é familiar da noite de S. João. «O Porto estava na rua, suava, acotovelava-se, trilhava-se e ria, deixando os penates a sós.»
Pontes sobre o Rio Douro que ligam as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, (de jusante para montante): Ponte da Arrábida (rodoviária), Ponte Luis I (tabuleiro inferior, rodoviário; tabuleiro superior, Metropolitano), Ponte D. Maria (ferroviária, actualmente desactivada), Ponte do Infante (rodoviária), Ponte de S. João (ferroviária) e Ponte do Freixo (rodoviária). [Está projectada uma nova ponte, a quota baixa].
Quando Rui Veloso canta que "... quem vem e atravessa o rio, vê um velho casario...," está a referir-se à Ponte Luis I. O autor do Malaposta não sabe se o Rui Veloso está esta noite no Porto. Mas é costume e até politicamente correcto que os presidentes da República se misturem com a multidão. Falta saber se o Cavaco "não pode vir por causa da situação difícil em Timor"...

Nota: Quem atravessa a Ponte do Infante, no sentido sul-norte, "cai" justamente nas Fontaínhas, o "epicentro" das festas, pelo menos de há 50 anos a esta parte. O dono do Malaposta, muito jovem, passava a noite nas Fontaínhas a jogar matraquilhos com os amigos. E, vaidade à parte, metia os golos quase todos com a cabeça do "jogador" do centro dos 3 "jogadores" mais avançados (quem percebe disso sabe do que estou a falar).


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