Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

11 maio 2006

Regresso a África

Angola, Zala, ainda...
[clicar nesta imagem e na segunda para expandir a ecrã inteiro]

permanecer no aquartelamento no dia em que os pára-quedas eram lançados, uma pausa no medo (por grupos de camaradas e amigos, o desabafo mais frequente era este: não vamos sair daqui vivos!).
Cada um tinha as suas motivações particulares: saudade, ansiedade por ler as notícias do Continente - sem política porque tudo era analisado pela Censura do ditador. Continuemos a analisar o site da CCAV2430. A introdução da história dessa Companhia seria a que qualquer unidade militar faria, excepto quanto a datas. Até o "Vera Cruz" foi o navio em que o ditador Salazar me meteu! [Após o "obviamente demito-o" do Humberto Delgado (o general sem medo), posteriormente assassinado em Badajoz pela PIDE do regime, e após a declaração do ditador "Temos o Santa Maria connosco" (que havia sido tomado pelo corajoso general Henrique Galvão), eu teria preferido o Santa Maria para rumar a Angola...]. Acontece, no entanto, que no site da CCAV2430 existem algumas imprecisões. Vejamos: É dito que a CCAV2430 ficou em Zala, juntamente com a CCS e a CCAV 2431, e que a CCAV 2429 ficou em Bela Vista. É caso para perguntar: Então ficaram duas Companhias operacionais (para alem da CCS) em Zala?
Entretanto, mais abaixo no site, é dito: "Relativamente à Rede Rodoviária, existiam alguns itinerários: "Zala-Bela Vista (42 Km), passando pelo famoso Bico do Pato" - [conheço muito bem esse Bico do Pato]; "Zala-Vila Pimpa (46 Km), antigo aquartelamento do exército (abandonado) [ora, uma das Companhias do meu Batalhão, a CCAV1402, esteve estacionada justamente em Vila-Pimpa. Dado que a CCAV2403 diz que é um "antigo aquartelamento do exército", isso significa que houve, após a saída do meu Batalhão (rumo ao leste de Angola), mudança estratégica ao nível do COM (Comando Operacional de Angola). Só assim se justifica o estacionamento em Zala de duas Companhias operacionais, visto que a terceira ficou em Bela-Vista, como no meu tempo]. Por fim, "Zala-Madureira (22 km), fazenda produtora de café (onde estava estacionada uma Companhia Independente de Caçadores). [Aqui sim, a profunda mudança estratégica operada na região dos Dembos. Como já ficou dito, no meu tempo a zona "Madureira, camioneta vermelha" era o "osso mais duro de roer" para as tropas portuguesas. Colocar nessa zona uma Companhia de Caçadores foi um "golpe de mestre". Se, no meu tempo, uma Companhia de Caçadores aí estivesse sediada, jamais nesse local haveria lugar para o "toma e vai fazer queixa ao Salazar"...]
Histórico por links dos meus posts sobre o tema:
03.08.2005 - Quem não tem cão...
05.10.2005 - Zala, Angola (O post com a foto do Google Earth)
18.11.2005 - Início da guerra colonial
01.12.2005 - Ainda a guerra em Angola

Comecemos por relembrar a imagem de Zala obtida pelo Google Earth, conforme meu post "Zala, Angola" de 05.10.2005. Nesse post eu falava da "mata da Madureira, camioneta vermelha", local situado entre Zala e Nambuangongo e quando por lá passávamos era seguro que seríamos sempre, sem excepções, confrontados com fortes combates.
Num site da "Companhia de Cavalaria 2430", "Angola 1968 a 1970", sendo-me impossível descrever como tomei conhecimento dele, existe uma foto de "corpo inteiro" do "Aquartelamento de Zala-1969". É uma foto importante e, pelo que ainda se verá mais à frente, a CCAV2430 teve gente capaz de se lembrar de fazer o histórico da Companhia e ilustrá-la com fotos (nota: não é possível guardar menhuma das fotos que aparecem no site!).
Neste post cingir-me-ei apenas, como se compreende, aos locais por onde andei de Agosto 1965 a Setembro 1966, tendo após esses 14 meses nos Dembos transitado para a região leste de Angola.
Comparemos a primeira foto que surge no referido site com a do Google Earth. Uma análise atenta dá para perceber que a "mancha" do Google corresponde à foto real de Zala! Sensivelmente ao centro da foto e em primeiro plano, em curva para a esquerda, é uma das picadas de acesso ao aquartelamento. Uma vez entrados nele, os barracos à direita são os aposentos da CCS (Companhia de Comando e Serviços) e, junto à mata escura e do centro para a esquerda, são os aposentos da minha CCAV1403, uma das 3 Companhias operacionais do Batalhão de Cavalaria 1851 formado no Regimento de Cavalaria 3, em Estremoz. A segunda foto que nos surge no site, à esquerda, é a famosa picada Zala-Nambuangongo, aqui referida Zala-Madureira e já veremos porquê. Continuando a descer o "elevador" do site, encontramos a foto "Zala-Pista de Aviação". Tive oportunidade, em post anterior, de me referir a um rectângulo de terra batida que servia de pista de aviação. "Zala-Pista de Aviação" não mais é do que esse rectângulo de terra batida. À data da chegada da CCAV2430 a Zala, em fins de Outubro 1968, essa "pista de aviação" encontra-se tal como à data da minha saída em Setembro 1966. A foto seguinte, "Zala-saída para a 2ª operação do COA" (Comando Operacional de Angola - é o que a sigla significa), dir-se-á que é comum a qualquer militar que tenha estado em Zala. "Zala-Reabastecimento aéreo" também foi referido nos meus posts anteriores. Lá estão os pára-quedas lançados pelo bojudo avião "Nord-Atlas", com géneros alimentícios frescos (ou nem tanto) e os famosos aerogramas [Tempo para referência ao livro de António Lobo Antunes, "D'este viver aqui neste papel descripto", "Cartas de guerra", com reproduções de aerogramas íntimos].
A passagem do "Nord-Atlas" justifica um "capítulo" próprio. Com efeito, uma vez por semana, o "Nord-Atlas" significava, para os militares que tinham a sorte de


Outros links sobre Angola. Link um: Lundas Angola Profunda, Link dois: Angola.

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9 Comments:

At 15 maio, 2006 16:39, Blogger magnolia said...

a.castro,
Este é um post muito pessoal onde relatas passagens importantes de uma vida que, por todos os motivos e mais algum, não deveria nunca ter existido. Em Setembro de 1966, eu tinha apenas 5 anos e não fazia a mais pequena ideia do que era uma guerra e quais as suas consequências. Uma guerra é sempre injusta, não importa o que lado em que lutemos, e a guerra do ultramar foi a prova disso mesmo. Uma injustiça para todos os soldados, quer portugueses, quer das ex-colónias! Com o passar dos anos, inevitavelmente, fui tomando consciência do que se passava e recordo uma situação que me marcou e que tenho presente como se fosse hoje, não teria eu mais de 9 ou 10 anos na altura (portanto 1969-1970). Lembro que havia uma grande azáfama na minha terra, todos falavam no regresso do “Toninho” que chegaria da guerra… toda a gente se mobilizou na vila e prepararam-lhe uma festa de boas vindas. Umas pessoas fizeram bolos, outras doces, outras ainda levaram pão e o seu melhor paio. Todos reunidos na casa dos pais do “Toninho”, esperávamos impacientes… Alguém o tinha ido buscar a Lisboa, não havia telemóveis e telefone só o do posto dos correios, mas não havia para onde telefonar de todas as formas, e só restava esperar… Já alta a noite, recordo que alguns pequenos já dormiam pelos cantos da casa, ouviu-se o barulho de um carro e todos correram para a rua. Foi uma enorme alegria! Uns choravam, outros riam (lembro da namorada do “Toninho” o beijar e do facto se comentar no dias seguinte de boca em boca) e eu que pouco o conhecia, notei nele algo estranho: uma áurea de tristeza, uma coisa estranha que não consigo explicar, e não era a emoção do regresso, era algo diferente… como se ele não tivesse consciência do que estava a acontecer, como se não acreditasse ainda que estava em casa e que estava vivo! Infelizmente muitos não tiveram essa sorte! Embora note uma certa nostalgia nas tuas palavras, fico muito feliz que tenhas sido um dos sortudos!
Beijo

 
At 07 novembro, 2006 01:27, Anonymous ex-Alf. Baltazar, da 2ª CCaç do 4613/72 said...

No meu tempo, de Fevereiro de 1973 a Junho de 1974, quinze meses, tínhamos duas Companhias operacionais em Zala, além da CCS, uma Companhia independente na Madureira, páras e comandos quase em permanência, Engenharia e Artilharia, a apoiar-nos, eu sei lá! O Zacarias, o Jones e outros guias, não tão famosos. Desbaratámos o COA, que se tornou o COF-um. O Comando Operacional da Frente nº um. Tive a sorte de ir ao Coa apenas depois de os camaradas de Zala terem expulso a Companhia Tigre de lá. Mesmo assim, não gostei. Por definição, o Coa era nosso, da Companhia sediada na Bela Vista, mas o Comandante não ligava a isso e foram as duas companhias de Zala que desbarataram o Coa. Enfim, estou a escrever à pressa, apenas para confirmar as alterações em relação ao tempo em que havia uma Companhia em Vila Pimpa. No meu tempo só lá havia ruínas.

 
At 14 abril, 2009 18:04, Anonymous Anónimo said...

Nasci apenas em Fevereiro de 1972 e tive pena de nem sequer me lembrar de conviver com o Alf Saraiva da 2a Comp.Caç. 4613/72 que era meu tio....

[img]http://photos3.hi5.com/0087/980/214/BxU0is980214-02.jpg[/img]

 
At 07 fevereiro, 2010 23:18, Blogger zezito said...

Olá Companheiros de Armas . Tudo é verdade eu sou o Alferes Miliciano Sequeira da 1ª Companhia em Zala, grande Camarada o Alf.Mil. Baltazar que já andava comigo desde Évora.
Brevemente escreverei muito mais e darei noticias .
Forte Abraço a todos da B.Cac 4613/72.

zesequeira@gmail.com

 
At 28 março, 2014 16:35, Blogger Ramiro Coelho said...

Ex-Furriel Coelho da CCS do 4613/72

Só para confirmar o que disseram os camaradas de armas Baltazar e Siqueira.
Também para me posicionar nestes comentários.

Grande abraço ao 4613/72

 
At 13 junho, 2014 12:46, Anonymous Anónimo said...

A Ccaç 2335 sedeada na Madureira foi em missão ao Coa na passagem de ano de 1968/69.Era precisamente meia noite quando lá chegámos e desbaratamos o aquartelamento.Vieram vários civis connosco e o guia foi o mesmo ou seja o Zacarias. Foi muito dificil lá chegar

 
At 13 junho, 2014 12:46, Anonymous Anónimo said...

A Ccaç 2335 sedeada na Madureira foi em missão ao Coa na passagem de ano de 1968/69.Era precisamente meia noite quando lá chegámos e desbaratamos o aquartelamento.Vieram vários civis connosco e o guia foi o mesmo ou seja o Zacarias. Foi muito dificil lá chegar

 
At 13 junho, 2014 12:46, Anonymous Anónimo said...

A Ccaç 2335 sedeada na Madureira foi em missão ao Coa na passagem de ano de 1968/69.Era precisamente meia noite quando lá chegámos e desbaratamos o aquartelamento.Vieram vários civis connosco e o guia foi o mesmo ou seja o Zacarias. Foi muito dificil lá chegar

 
At 13 junho, 2014 12:46, Anonymous Anónimo said...

A Ccaç 2335 sedeada na Madureira foi em missão ao Coa na passagem de ano de 1968/69.Era precisamente meia noite quando lá chegámos e desbaratamos o aquartelamento.Vieram vários civis connosco e o guia foi o mesmo ou seja o Zacarias. Foi muito dificil lá chegar

 

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