Modelo importado da Inglaterra em 1854
Malaposta

Em 1859, a ligação entre Lisboa e Porto através das carreiras da Malaposta fazia-se em 34 horas e passava por 23 estações de muda. Apesar do bom serviço que as diligências prestavam nessa altura, a sua extinção foi irreversível com o aparecimento do comboio, embora se mantivessem em actividade durante mais algum tempo, como atestam os «manuais do viajante» da época.

10 julho 2006

Acabou o ópio, keremos mais!

Alienação portuguesa

Esta é a segunda versão do post Que viva o mundial! para mostrar a alienada bandeira humana portuguesa. Dezoito mil e oitocentas desceram ao relvado e compuseram a maior bandeira humana do mundo com direito a registo no Guiness. Por entre lágrimas e gemidos suspiraram os nomes dos jogadores. Cantaram vibrantemente o Hino Nacional e comoveram-se em abundância. [Continue a ler que vale a pena. Não perca!!!]

Esquinas, montras, outdoors, semeiam fotografias de jogadores sorrindo, jogando, sorrindo e jogando, mas sempre convidando ao consumo e incentivando a idolatria. Constatado o facto, subsiste a inquietação: o que terá levado milhares de mulheres ao Estádio Nacional aclamando em histeria jogadores de um desporto que muitas delas mal conhecem? O que motivará outros milhares de pacatos cidadãos a este empolgamento generalizado? Uma paixão patriótica emergente? A necessidade de reencontrar raízes de identidade colectiva que os ajudem a superar o flagelo das suas vidas? A simples alienação de um quotidiano complexo? A droga que obnubila o futuro miserável que se prenuncia?
Tudo isto, possivelmente. E tudo isto constitui o cenário ideal para que o estímulo ardilosamente construido pela indústria publicitária germine. Cria-se a onda lançando o engodo de que podemos ser os melhores, ganhar tudo, conquistar o reconhecimento do mundo inteiro. E, depois, aproveita-se a energia decorrente e o efeito de identificação com os protagonistas.
Todas as marcas adoptaram a imagem de um futebolista. Proliferam os hinos, os rituais de adolação da selecção que é hoje, como porventura nunca foi, um insuperável instrumento de promoção comercial. Venero a nossa bandeira mas não a considero a mais bela. As portuguesas são, como as de todas as outras nacionalidades, bonitas e feias, interessantes e antipáticas. O país não é o melhor nem o pior do mundo. É pequeno e pobre, com coisas boas, outras más e muita "manhosice". Vivemos um momento difícil e não sabemos o que fazer.
Por isso, não exijamos aos 23 desgraçados que foram convocados por Scolari que sublimem as nossas frustrações colectivas. Temo, porém, estar a pedir o impossível.

Do alto da tribuna presidencial, Scolari alçou a perna e debitou discurso empolgante. Apelou ao regresso das bandeiras às varandas e sugeriu que os nomes dos jogadores fossem pintados nas paredes de Portugal. O êxtase do mulherio recordava as celebrações da IURD nos seus tempos de apoteose. Faltaram, claro está, as oferendas. As descrições falam de momentos "intensos" e "arrepiantes", de "autêntico fervor patriótico". Foi o recorde dos recordes, a "mais bela bandeira" composta pelas "mais belas mulheres do mundo", porque naquele dia, àquela hora, elas e eles se sentiram, realmente, os "melhores e os maiores" de um planeta povoado por outros homúnculos que não nos chegam aos calcanhares.
Todo este espectáculo foi transmitido em directo pelas televisões, com reportagens ininterruptas, câmaras em hilicópteros e o aparato próprio dos grandes momentos que marcam a história e traçam o futuro dos povos.
Aclamada pelo gineceu, a selecção prometeu a glória. E elas festejaram de imediato a glória prometida.
Pelo que se vê, as bandeiras já voltaram às janelas. Temo mesmo que a sugestão de Scolari pegue e que os muros, paredes e outras superfícies lisas do imobiliário pátrio sejam adornados com os nomes dos seleccionados. Espero que não se percepcione nas palavras do "sargentão" subliminar alusão à revisão dos topónimos vigentes.
É bem possível que a algum autarca mais eufórico ocorra substituir o duque de Saldanha pelo Maniche, Camões pelo Figo ou o marquês de Pombal pelo Petit. Aliás, o espaço público já se converteu em santuário da selecção.Zé de Bragança, NM, usual icon: galo de Barcelos.

Etiquetas:

Home»»Hi!

1 Comments:

At 10 julho, 2006 20:44, Blogger Sofocleto said...

«Temo mesmo que a sugestão de Scolari pegue e que os muros, paredes e outras superfícies lisas do imobiliário pátrio sejam adornados com os nomes dos seleccionados»

Espero que escrevam correctamente o nome de Ricardo Carvalho.

 

Enviar um comentário

<< Home

since 05.12.2005

  • [_Top of Page_]
  • Malaposta

    Subscribe to: Posts (Atom)

    Referer.Org: Referer.Org.Feeds Free counters!